Governo muda classificação de desenho bíblico da Record para "não recomendado para menores de 12 anos"
Programa exibido desde 2003 no Record Kids passa a ter restrição de horário na TV aberta. Decisão saiu três dias depois de Lula prometer defender igualmente todas as religiões.
O Ministério da Justiça determinou a mudança da classificação indicativa do desenho cristão da Record, que conta passagens da Bíblia em formato de animação para crianças. O programa era classificado como "Livre" e agora passa a "não recomendado para menores de 12 anos".
Na prática, a TV aberta só pode exibir o desenho depois das 20 horas. Ele fazia parte da programação Record Kids desde 2003 e era transmitido aos domingos, a partir das 9 horas.
A decisão veio três dias depois de Lula, ao ser anunciado vencedor das eleições presidenciais de 2022, afirmar que seu governo defenderia igualmente todas as religiões.
O que diz a portaria
A alteração foi oficializada em portaria da Coordenação-Geral de Políticas de Classificação Indicativa, ligada ao Ministério da Justiça. O documento justifica a mudança apontando quatro elementos considerados "problemáticos" no desenho:
- atos criminosos;
- drogas lícitas;
- violência;
- estigma ou preconceito.
Para o órgão, a exibição desse tipo de conteúdo para todos os públicos fere a Constituição e o Estatuto da Criança e do Adolescente.
O que está sendo classificado
Os quatro elementos apontados vêm das próprias histórias bíblicas. Caim mata Abel. Os irmãos vendem José. Davi derruba Golias. Herodes manda matar os meninos de Belém. O vinho aparece porque o povo da época bebia vinho.
A Bíblia não esconde o pecado. Ela o chama pelo nome, mostra o juízo de Deus sobre ele e aponta para a promessa de um Salvador. Foi o próprio Jesus quem disse que as Escrituras testificavam dele (João 5.39).
Ou seja, o programa foi enquadrado por contar o que o texto sagrado conta.
E a grade da televisão aberta?
Enquanto o desenho vai para depois das 20 horas, a televisão aberta segue exibindo, no começo da noite, novelas com traição, mentira, adultério e violência. É o horário em que muitas crianças estão diante da tela.
Porém, a diferença está no enredo. O desenho bíblico mostra o mal e mostra que Deus o julga. A novela das seis, em geral, mostra o mal como rotina, com trilha sonora e protagonista bonito, e sem nenhum Salmo 51 no final.
Uma classificação que enxerga risco em Caim e Abel, mas não enxerga em adultério de capítulo diário, precisa de explicação. O momento da decisão, logo depois de uma promessa pública de tratamento igual às religiões, não ajuda a confiar na justificativa técnica.
Isaías 5.20 descreve esse tipo de inversão: "Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal".
A responsabilidade continua com os pais
O Estado pode classificar programas de TV. Não pode ensinar os filhos de ninguém. A ordem bíblica é dirigida aos pais: "Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos" (Deuteronômio 6.6-7).
Se o desenho passa às 20 horas, muitas crianças já estarão dormindo. A grade pode mudar. O dever de contar a elas a história da Bíblia não muda.
Leia a Bíblia com seus filhos, em voz alta, sem censurar Caim nem Golias, e mostre como cada história de pecado, de quedas e falhas humanas apontam para a redenção em Cristo Jesus.
Sobre Lucas Lauriano
Cristão, casado, engenheiro de software e seminarista no Seminário Martin Bucer. Formado em Sistemas de Informação, transito entre tecnologia e teologia, com muito rock’n roll como trilha sonora dessa dádiva chamada vida.


