O livro Nascido Escravo é um resumo da obra A Escravidão da Vontade (De Servo Arbitrio), publicada em 1525 por Martinho Lutero e considerada um dos textos mais importantes para a consolidação de sua teologia. Preparado por Clifford Pond, o livro chega ao público brasileiro em edição da Editora Fiel, lançada em 2007, para apresentar um dos debates centrais da Reforma Protestante: a controvérsia em torno do livre-arbítrio e da salvação como ação exclusivamente divina. Ao longo do texto, o reformador afirma que seu pensamento está alinhado com a doutrina bíblica neotestamentária, defendendo que “o argumento paulino, entretanto, é que nem mesmo as boas obras nos tornam aceitáveis diante de Deus. Elas merecem somente sua ira, jamais o seu favor” (p. 30).
Para o leitor pouco habituado com a literatura de Lutero ou de outros reformadores, a obra pode causar um choque. Os argumentos são duros, e Lutero não mede palavras ao confrontar o pensamento de Erasmo em favor do “livre-arbítrio”, postura que contrasta com a aparente harmonia que existe entre essas duas correntes de pensamento na Igreja de nossos dias.
A obra nasce como resposta ao livro "Discussão sobre o Livre-Arbítrio", escrito por Erasmo de Roterdã, principal representante do humanismo cristão do século XVI. Enquanto Lutero defendia a incapacidade do homem após a Queda, Erasmo sustentava que o homem pode cooperar com a graça divina. Essa capacidade de escolha torna-se o eixo do embate entre os pensadores. O título “Nascido Escravo” expressa a convicção de que a vontade humana encontra-se cativa do pecado, e que não pode escolher a Deus por si mesma. Assim, a salvação não resulta de decisão autônoma do homem, mas da ação soberana de Deus.
Escrito em linguagem acessível, o livro tem 101 páginas e é dividido em quatro capítulos principais, além de prefácio, introdução e pós-escrito elaborados por Clifford Pond, contando ainda com um prefácio à edição brasileira assinado por Gilson Santos, pastor da Igreja Batista da Graça.
No primeiro capítulo, são apresentados argumentos bíblicos contra o livre-arbítrio, com foco no Evangelho de João e a Epístola aos Romanos. Em seguida, o autor refuta de forma sistemática os argumentos de Erasmo, apontando a fragilidade dessa doutrina diante das Escrituras. Um ponto central da crítica é o uso de textos apócrifos, como Eclesiástico 15:14-18. Lutero reforça que este texto não é canônico e ainda afirma que validá-lo “seria como alguém citar uma passagem qualquer sobre Pilatos como governador da Síria, a fim de provar que Cristo foi o Messias” (p. 49).
Nos parágrafos finais, Clifford Pond ressalta a relevância de Nascido Escravo para a igreja do século XXI, alertando para os riscos de doutrinas que colocam a salvação nas mãos do homem. Essa perspectiva, presente no arminianismo e difundida por João Wesley, permanece influente e representa um afastamento do ensino neotestamentário da graça. Pond afirma que “o ensino da Bíblia, em torno do qual os reformadores estavam concordes, confere a Deus todo o crédito pela nossa salvação” (p. 100). Mesmo após cinco séculos, a obra continua atual nos debates entre calvinismo e arminianismo.
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